É SEMPRE BOM LEMBRAR QUE UM COPO VAZIO ESTÁ CHEIO DE AR*









6.5.10

Canjerê (rascunho para uma letra) VII

NA CIDADE DE MATO VERDE

"Um dia,
Num lugar onde se ouvia as três marias a fofocar,
Escutei algo que não podia
Menino algum escutar.

Uma delas disse às outras,
Que são duas velas que nos vela,
Uma, que fica com a gente,
E outra, que fica com ela.

E esse lugar é Mato Verde...!"


Na cidade de Mato Verde
Se conhece o interior
De nós,
Do país,
Do mundo!
O interior de qualquer senhor,
Seja Barão, Burocrata, Burguês
Seja Político ou cidadão inglês,

Em Mato Verde,
Há de se revelar,
O que você é,
O que eu sou,
O que eles são...

E ninguém é mal, ninguém nasce mal, ninguém fica mal por nada,
Essa corrupção, tudo desigual, tudo coisa mal pensada,
Quem veio do ventre,
Quem veio do seio,
Nasceu uma pessoa amada,
Se o mundo lhe muda,
É que sua vida é muda,
Surda, cega e deformada!

Mas em Mato Verde,
Tudo há de se revelar,
O que há de bom na gente,
O que há de bom no mundo,
O que há de bom na vida!


Em Mato Verde,
Há de se revelar,
O ser feito na gente,
Que a gente deixou passar,

Em Mato Verde,
Há de se revelar,
O mundo feito pra gente,
Que a gente tem que salvar.

5.5.10

Canjerê (rascunho para uma letra) VI

CANJERÊ


Pegue aí a canjibrina,
Com cajú e cajuína,
Ô natu-reza divina,
Ô natu-reza divina.

Faze eu, faze você,
Faze lá pra nóis bebê,
No dia do canjerê,
No dia do canjerê.

As negra lá é só candonga,
Num je-re-rê do candombla,
Ô Deus, e a quizumba!?
Ô Deus, e quem zomba!?

Se de lá se aponta o Exu,
Corro qui nem se corre de inchú!
Ô Deus, eu vô ficá mais tu,
Ô Deus, eu vô ficá mais tu!

Se me derrama a canjibrina,
Quando o zói vê só librina,
Cê pensa que a chuva é fina,
Cê pensa que a chuva é fina?

É de cair o maior toró,
Não fique são que dá dó,
Mas fique na có-có,
Mas fique na có-có,

E se nos acaba o goró?
Tem mais até o final,
Ê canjerê é mió,
que festa de carnaval.

Vou levar a mulata em casa,
E saí de novo pra vê,
Se outra me leva nas asas,
Até o fim do canjerê.

Ê, Ê
Canjerê!

3.5.10

NÓS III

NÓS II